Quem conhece o Feiraguay, em Feira de Santana, sabe que o movimento entre lojas, vitrines e corredores sempre fez parte da rotina do comércio popular. O que mudou é que, agora, uma parte das vendas começa longe dali. Basta acompanhar os perfis das lojas no Instagram para encontrar novidades, consultar preços e fechar uma compra pelo WhatsApp, mesmo estando em outra cidade da Bahia.
A vitrine digital trouxe uma nova dinâmica para os comerciantes. Em vez de esperar o cliente aparecer, as lojas mostram produtos em vídeos curtos, publicam peças recém-chegadas e respondem às dúvidas diretamente pelo celular. Algumas estratégias são bastante simples, como apresentar detalhes de uma mercadoria nos stories ou enviar fotografias de diferentes modelos antes da compra. O atendimento, antes restrito ao balcão, passou a acontecer também nas conversas privadas.
Para quem compra, a praticidade vai além de não precisar viajar. É possível acompanhar a chegada de produtos, reservar uma peça e combinar o envio sem sair de casa. O Pix facilita o pagamento, enquanto transportadoras e serviços de encomendas permitem que as mercadorias circulem por outras cidades. Uma compra feita pelo Instagram pode seguir praticamente o mesmo caminho de um pedido realizado em uma loja virtual.
O crescimento do comércio eletrônico já aparece nos indicadores econômicos de Feira de Santana. Entre janeiro e agosto de 2025, a cidade registrou a abertura de 110 empresas no segmento de transporte, armazenagem e correio, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, com dados da Junta Comercial da Bahia. A Prefeitura aponta a expansão das compras pela internet entre os fatores associados ao movimento.
Há também uma mudança interessante na forma de descobrir o comércio de Feira. Se antes muita gente conhecia determinadas lojas por indicação de amigos ou durante uma visita ao Feiraguay, hoje um vídeo compartilhado pode apresentar o estabelecimento a consumidores de diferentes regiões. O próprio celular se tornou uma ferramenta de divulgação, atendimento e venda.
Essa movimentação abre novas possibilidades econômicas para o comércio feirense. A clientela deixa de depender exclusivamente de quem circula pela cidade, enquanto o aumento do alcance comercial cria oportunidades para serviços de entrega e distribuição. O Feiraguay continua com suas lojas físicas e o atendimento característico do comércio popular, mas parte de sua atividade já acontece nas telas dos celulares, com pedidos que podem sair de Feira de Santana para diferentes destinos da Bahia.
Foto – Reprodução/Câmara de Vereadores de Feira de Santana

















