Uma semana antes do Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, a lembrança de quem partiu se traduz em gestos que atravessam gerações. A visita aos cemitérios, a limpeza dos túmulos, a entrega de flores e a participação em missas fazem parte dos costumes de quem escolhe dedicar um momento à memória de pessoas queridas.
Em Feira de Santana, a pedagoga e empresária Anne Lima mantém vivo o hábito de cuidar dos túmulos do avô, Josival, e da mãe, Elianne. A tradição, para ela, não se limita ao feriado. É uma maneira de reconhecer a importância dos dois na mulher que se tornou e preservar os ensinamentos que recebeu.

Criada por uma mãe solo, Anne cresceu com o incentivo de Elianne para buscar os próprios sonhos. Na ausência do pai, encontrou no avô uma referência paterna. Josival morreu aos 91 anos, por causas naturais, em 22 de agosto de 2014, no mesmo dia do aniversário da neta. Anos depois, Anne acompanhou a mãe durante nove anos de tratamento contra uma doença renal crônica. Em 2022, a realização do transplante renal trouxe uma das maiores alegrias da família, mas, apenas uma semana depois, Elianne passou mal e morreu.
Hoje, Anne e a filha compartilham as visitas ao cemitério, uma prática que a pedagoga faz questão de preservar sem associar exclusivamente à saudade. “Tenho uma filha que também teve os cuidados de minha mãe. Hoje é lutadora profissional de MMA. Ela viveu tudo junto comigo e até hoje vamos sempre ao cemitério. Não por tristeza, mas por gratidão”, conta.

A forma como Anne cuida dos túmulos tem relação direta com o carinho que demonstrava aos familiares em vida. Limpar o espaço e levar flores são atitudes que mantêm essa demonstração de afeto na rotina, sem depender de uma data específica. “Faço questão de ir ao cemitério, limpar e cuidar do lugarzinho deles e levar flores, assim como fazia questão de demonstrar meu carinho quando estavam vivos. Para mim, não é apenas uma tradição, mas uma demonstração de amor, respeito e gratidão”.
A experiência também deixou marcas na maneira como a empresária compreende a própria trajetória. Ao falar da mãe, Anne destaca a força que aprendeu a cultivar diante das dificuldades e a importância de continuar seguindo em frente. “O Dia de Finados tem um significado muito especial para mim. Eu sinto que minha mãe e meu avô nunca morreram dentro de mim, porque continuam presentes nas minhas lembranças, nos meus ensinamentos e em tudo o que sou.” relata a pedagoga.
Em Feira de Santana, a data também movimenta a programação dos cemitérios, que reservam horários especiais para missas, e o comércio de flores, que espera um aumento de 5% nas vendas neste ano. Para além do feriado, a ocasião ajuda a manter histórias familiares presentes no cotidiano.
Para Anne, a data reforça uma convicção que acompanha sua vida para além do calendário. “Acredito que a morte leva a presença física, mas não apaga o amor. Enquanto eu estiver aqui, continuarei levando flores, cuidando daquele lugar e mantendo viva a memória deles, porque fazem parte da minha história e estarão para sempre no meu coração.”
Foto de capa – Arquivo Pessoal

















