Morar bem: Claudia Morais e Calazans Arquitetura imprimem um novo olhar sobre o “alto padrão” em Feira

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O mercado imobiliário e a paisagem urbana de Feira de Santana passam por uma transformação profunda, impulsionada pelo crescimento da arquitetura residencial de alto padrão. Em um cenário marcado pela expansão de condomínios e novos estilos de vida, o foco deixa de ser apenas a estética e passa a ser a criação de lares com identidade e funcionalidade.

À frente dessa consolidação, nomes em destaque como a arquiteta Claudia Morais (claudiamoraisarquitetura), além dos profissionais Adriana e Bruno, da CALAZANS Arquitetura (@calazansarquitetura), traduzem o desejo de uma Princesinha do Sertão cada vez mais exigente por residências exclusivas, autorais e atemporais. Em constante busca por referências e repertório para a criação de espaços atemporais, a arquiteta Claudia Morais — atualmente em viagem pela Turquia destaca como a vivência de novas culturas impacta diretamente a sua produção.

“Estar na Turquia tem sido uma experiência muito rica justamente por permitir observar, de perto, como a arquitetura pode estabelecer uma relação com a paisagem, com a história e com as formas. Essa viagem amplia o meu olhar e me mostra que inovação não significa necessariamente criar algo completamente novo, mas saber reinterpretar referências, materiais, texturas, proporções e experiências de diferentes culturas. Levo esse repertório para os meus projetos buscando uma arquitetura cada vez mais autoral, atemporal e conectada ao contexto. Acredito que viajar, conhecer outras culturas e vivenciar diferentes formas de habitar amplia nossa percepção sobre o que é conforto, sofisticação e beleza. E esse olhar internacional, quando combinado com a identidade local, é o que permite criar projetos inovadores sem perder a essência de quem vai viver ali”, conta.

Fotos: Arquivo Pessoal

O crescimento econômico de Feira de Santana e o novo perfil dos moradores impulsionaram a procura por residências com projetos exclusivos, que superam a busca por apartamentos meramente estéticos e focam na experiência de morar. Segundo a profissional, o amadurecimento desse segmento reflete diretamente a mudança nas exigências do cliente feirense.

“A percepção dessa demanda aconteceu de forma muito natural, acompanhando a própria transformação do perfil dos nossos clientes. Feira de Santana cresceu e passou a receber um público cada vez mais exigente, que não busca apenas uma casa bonita, mas uma arquitetura que traduza seu estilo de vida, sua personalidade e sua forma de enxergar o mundo. Hoje, percebemos uma procura muito maior por projetos de alto padrão que tenham exclusividade e identidade. É difícil destacar apenas alguns projetos, visto que cada um tem a sua identidade e cada cliente é único, mas temos alguns que eu olho e digo ‘eu moraria aqui facilmente’”, destaca.

Fotos: Arquivo Pessoal

Diante do surgimento de novos vetores de crescimento urbano e do volume de novos loteamentos e condomínios fechados, o setor se prepara para os desafios de desenhar o futuro da habitação na região. Ainda segundo Claudia, o momento atual combina oportunidade e responsabilidade na criação de espaços que dialoguem com a cidade e suas particularidades.

“Vejo Feira de Santana vivendo um momento muito importante de transformação. A expansão da cidade, o lançamento de muitos condomínios (principalmente de lotes), naturalmente, traz novos desafios, mas também cria uma oportunidade para pensarmos em uma arquitetura qualificada, contemporânea e conectada às necessidades das pessoas. Acredito que o futuro passa por projetos que conciliem funcionalidade, tecnologia, conforto e identidade. Uma arquitetura que seja arrojada, mas que também respeite o clima, a paisagem e as características da nossa região”, conclui.

Enquanto a busca por refúgios sob medida movimenta o setor, a assinatura dos projetos ganha um CONTORNO próprio quando a trajetória dos arquitetos se mistura com a essência de morar. É nesse cenário que os profissionais Adriana e Bruno, à frente da CALAZANS Arquitetura, transformam o conceito de sofisticação no mercado feirense.

Foto: Reprodução

Apesar do amplo portfólio, a sinergia entre Adriana e Bruno vem também da cumplicidade do dia a dia, onde vida pessoal e prática profissional se entrelaçam de forma fluida. “Hoje, além de sermos arquitetos e sócios, somos casados, construímos uma família e temos uma filha que já cresce naturalmente dentro desse universo, entre desenhos, obras, materiais e conversas sobre projetos. Vivemos e respiramos arquitetura, mas, para nós, ela nunca foi apenas uma profissão. Essa experiência familiar também influencia muito a forma como conduzimos nosso escritório – e procuramos levar isso para o atendimento e para cada projeto. Talvez por isso tenhamos uma conexão tão forte com a arquitetura residencial. Estamos projetando casas para famílias enquanto também construímos a nossa própria história como família.”, recordam.

Foto: Arquivo Pessoal

Para o casal, a sofisticação não está no excesso, mas na capacidade de fazer um projeto revelar, com precisão, quem vai habitá-lo. “Construímos uma arquitetura que não busca simplesmente ser bonita ou sofisticada, mas fazer sentido para aquela família. A personalização está em cada decisão: na implantação, distribuição dos espaços, relação entre os ambientes, escolha dos materiais, iluminação, marcenaria e nos detalhes que muitas vezes nem são percebidos conscientemente, mas fazem toda a diferença na experiência de morar. Acreditamos que o verdadeiro alto padrão está justamente nisso, quando a arquitetura deixa de ser apenas um espaço bem projetado e passa a ser uma extensão da identidade de quem vive ali, relatam.

Segundo Bruno, a evolução no perfil das produções acompanha de perto o amadurecimento do mercado consumidor feirense. O profissional explica que os clientes passaram a compreender que investir em arquitetura vai muito além do ato de construir uma casa, havendo hoje uma percepção muito maior sobre o valor de um projeto bem desenvolvido. Para o especialista, o cliente de alto padrão está cada vez menos interessado em reproduzir referências prontas e busca reconhecer a própria história no espaço, exigindo projetos atentos e personalizados que contemplem seus rituais, hábitos e a forma como gosta de viver, descansar e receber.

Foto: Arquivo Pessoal

Entre as produções que traduzem as diferentes facetas do alto padrão, o arquiteto destaca projetos como uma residência de aproximadamente 600 m² no Alphaville, desenhada com um forte sentido de unidade para uma família de amigos; um apartamento no Edifício Saint Remy, marcado por uma elegância leve e acolhedora; euma casa de 600 m² em um lote de 1.200 m² no condomínio Irlena Marques, onde a horizontalidade e a integração com a paisagem se destacam. Para o profissional, por se tratarem de propostas tão distintas entre si, é justamente aí que se consolida a assinatura do escritório, que busca criar projetos que não pareçam apenas uma marca registrada da Calazans, mas sim extensões legítimas da história e da essência de cada família.

Olhando para as transformações urbanas de Feira de Santana, a dupla projeta uma evolução focada no design consciente e na qualidade de vida. “Feira de Santana vive um momento muito interessante de transformação. A cidade está inserida em uma dinâmica cada vez mais conectada. Hoje, referências, tecnologias, materiais e novas formas de morar chegam muito rapidamente. O olhar do cliente já não está limitado ao que existe ao seu redor. Ele compara, pesquisa, viaja, conhece outras cidades e passa a trazer novas expectativas para dentro da nossa realidade. Ao mesmo tempo, acreditamos que Feira de Santana possui um potencial muito grande de crescimento, tanto no mercado residencial quanto no corporativo, comercial e urbano. Existe uma oportunidade enorme para que Feira de Santana desenvolva uma arquitetura cada vez mais autoral e contemporânea, sem perder a sua identidade. E acreditamos que a arquitetura residencial de alto padrão terá um papel importante nesse processo, porque ela ajuda a elevar a própria percepção de qualidade da cidade”, conclui.

Foto da capa: Reprodução

Por Cristiano Sales,
jornalista e escritor.

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