Das lojas do centro e da Av. Getúlio Vargas às empresas do polo logístico e de serviços, os negócios de Feira de Santana chegam aos últimos quatro meses de 2026 diante de um desafio comum: revisar o planejamento e bater as metas estipuladas para o ano.
Motor econômico do interior da Bahia, o conglomerado empresarial feirense tem dado um salto expressivo — o que reforçou a necessidade de reestruturar os próximos passos para 2027. Vindo de uma média de 291 novos CNPJs abertos por mês na Princesinha do Sertão, segundo a Secretaria de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico (SETTDEC), com base nos dados da Junta Comercial do Estado da Bahia (Juceb), reajustar a rota é fundamental para manter os indicadores positivos.

Foto: ACM – Secom
Para auxiliar o dia a dia do empresariado feirense, o CONTORNO bateu um papo exclusivo com Rose Rodrigues, fundadora do Grupo RR e especialista em gestão há mais de duas décadas, a fim de estabelecer um novo olhar sobre os desafios do segundo semestre em Feira de Santana. Diante do cenário atual, a executiva destaca que a rápida expansão dos negócios exige maturidade operacional.
“Eu tenho mais de 20 anos de carreira, majoritariamente ligados à gestão. Comecei na base, passei por diferentes níveis de responsabilidade e, ao longo dessa trajetória, tive a oportunidade de liderar e impactar mais de 15 mil pessoas. Hoje, à frente do Grupo RR, atuo ajudando empresas a estruturar pessoas, lideranças, processos, cultura, indicadores e governança, porque aprendi que muitos negócios não sofrem por falta de trabalho ou de venda, mas porque crescem mais rápido do que a sua capacidade de gestão”, explica.

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Vivenciando os desafios corporativos do país, Rose analisa que a condução de um empreendimento impõe exigências contínuas, em especial para mulheres ocupando posições de destaque no mercado. “Hoje eu conheço esse desafio do outro lado da mesa: como empresária. Empreender no Brasil significa lidar simultaneamente com impostos, caixa, vendas, pessoas, legislação e um ambiente econômico bastante instável. E, sendo mulher à frente de uma empresa formada majoritariamente por mulheres, existem desafios adicionais que são muito reais: construir autoridade, ocupar espaços de decisão, acessar oportunidades e equilibrar uma cobrança que, muitas vezes, vai além do resultado empresarial. Não vejo isso pelo lugar da vitimização, mas como uma realidade que exige ainda mais preparo, posicionamento e consistência. Por isso, uma das lições que carrego é: crescer é importante, mas o verdadeiro desafio é construir uma empresa capaz de sustentar o próprio crescimento”, pontua.
Com o mercado local aquecido pela abertura de novas empresas, a reta final do ano exige atenção redobrada aos indicadores de rentabilidade. A especialista reforça que a sustentabilidade financeira do negócio depende do equilíbrio entre a atração de clientes e a preservação dos recursos disponíveis. Ainda segundo a fundadora do Grupo RR, o empresariado precisa focar em métricas reais para não confundir volume de vendas com liquidez.
“A primeira coisa que o empresário precisa entender é que faturamento não é lucro e faturamento não é caixa. Estamos em um cenário que exige cautela: juros ainda elevados, crédito caro, famílias bastante endividadas e um número recorde de empresas inadimplentes. Ao mesmo tempo, existe mercado e a Bahia apresenta sinais no varejo. Então não é hora de paralisar, mas também não é hora de crescer de qualquer maneira. O empresário de Feira de Santana precisa olhar principalmente para margem, descontos, estoque, prazo de recebimento, inadimplência e despesas de final de ano, além de preparar sua equipe para vender melhor”, alerta.


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Segundo Rose, a preparação e o engajamento das equipes surgem como peças-chave para contornar gargalos e transformar o movimento comercial em caixa efetivo ao fim de cada mês. Para a gestora, a eficiência operacional da empresa passa pela presença de lideranças ativas e diretrizes comerciais bem estruturadas. “É exatamente algo que encontramos constantemente dentro das empresas: às vezes existe uma meta comercial, mas não existe uma equipe preparada, um líder acompanhando indicadores ou uma política clara de negociação. Por isso, a lógica precisa ser simples: vender mais, preservar margem, receber melhor e proteger o caixa. Porque uma empresa não encerra bem o ano apenas quando fatura mais. Ela encerra bem quando transforma faturamento em resultado”, ressalta.
Analisando a virada de ciclo e o direcionamento para 2027, Rose lembra que as decisões tomadas nesta reta final do ano serão determinantes para o posicionamento da empresa no mercado nos próximos meses. De acordo com a especialista, antecipar o planejamento e revisar a performance das operações evita surpresas na retomada das atividades no novo ano.
“Eu costumo dizer que 2027 não começa em janeiro. Para uma empresa organizada, começa agora. Esse é o momento de analisar 2026 com profundidade: onde a empresa ganhou dinheiro, onde perdeu margem, quais produtos, serviços e clientes foram mais rentáveis e quais áreas ou pessoas ficaram abaixo do resultado esperado. Depois disso, precisamos transformar essa leitura em planejamento: orçamento, metas, indicadores, estratégia comercial, responsabilidades e desenvolvimento das lideranças. Acredito que a empresa que deseja começar 2027 melhor precisa responder cinco perguntas: onde queremos chegar, quanto precisamos gerar, como vamos chegar, quem será responsável e como vamos medir? Porque planejamento não é prever perfeitamente o futuro. É preparar a empresa para tomar decisões melhores quando o futuro chegar”, conclui.
Foto de capa: Reprodução
Por Cristiano Sales,
jornalista e escritor.

















