Coletivo Unidos pelo Samba; veja como grupo criado no Bando Anunciador transformou o samba de Feira

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Muito antes de reunir milhares de pessoas pelas ruas do Centro de Feira de Santana, o Bando Anunciador tinha um função específica. Surgido no século XIX, o cortejo percorria ruas para avisar que a Festa de Senhora Sant’Ana, padroeira do município, estava próxima. A missão era convidar a população para participar das celebrações religiosas. Mais de um século depois, a manifestação se tornou ponto de encontro para expressões culturais e segue produzindo novos capítulos da história da cidade.

O evento reúne moradores de diferentes bairros, famílias, estudantes, instituições, fanfarras, charangas e grupos organizados que mantêm viva uma das manifestações culturais mais antigas do município. É nesse contexto que nasceu o Coletivo Unidos pelo Samba, hoje uma das principais referências do gênero na cidade. A origem do grupo está diretamente ligada ao Bando Anunciador, que este ano acontece no próximo domingo, 12, realizado tradicionalmente quinze dias antes da festa da padroeira.

Foto – Edvan Barbosa

Segundo o diretor do coletivo, Danillo Ferreira, foi justamente durante a preparação para o Bando que surgiu a iniciativa de reunir sambistas da cidade. “O Unidos pelo Samba nasceu em 2015, na oportunidade, nós criamos um chamado arrastão para o Bando Anunciador. Saindo lá do Feira X, vários sambistas se reuniram e fizeram esse arrastão. Esse ‘Bando do Samba’. Isso ficou muito marcado para todo mundo.” afirma Danillo.

A mobilização nasceu em um período em que, segundo ele, o samba encontrava poucas oportunidades de circulação nos espaços da cidade. “Aquele momento histórico era um momento em que o sertanejo estava muito em alta, e outras músicas estavam muito populares nos bares, nas ruas. Então a gente sentia que faltava samba. Tinham músicas e sambas que a gente gostava de cantar e simplesmente não tinha espaço para isso. Então a gente resolveu se organizar, organizar uma roda de samba, para que o samba pudesse ser afirmado em espaços nossos.”

Desde então, o Unidos pelo Samba ampliou sua atuação e consolidou uma agenda própria de encontros e apresentações, reunindo públicos de diferentes perfis em torno da música. Para Danillo, o coletivo ultrapassou a dimensão artística e passou a representar um espaço de convivência na cidade. “Eu acho que o Unidos se consolidou como o espaço mais diverso democrático de Feira de Santana. Eu acho que esse é nosso grande trunfo. No sentido de que nos temos pessoas de diversas idades, gêneros, interesses e que chegam no Unidos e se afirmam da maneira como elas são. E convivem de maneira pacífica e harmoniosa.” relata o organizador.

Foto – Arquivo pessoal

O diretor afirma que esse ambiente construído pelo coletivo se tornou um dos principais resultados do movimento iniciado há dez anos. “A gente está conseguindo, coletivamente, construir um espaço de harmonia social que pode servir de exemplo para a sociedade de maneira geral.”

O surgimento do Unidos pelo Samba a partir desse encontro entre artistas e moradores reforça como a manifestação do Bando Anunciador deixou de cumprir apenas a função de anunciar a chegada da festa da padroeira e passou a impulsionar novas expressões culturais em Feira de Santana. O evento segue renovando seu papel na cidade, preservando tradições e abrindo espaço para iniciativas que fortalecem a identidade cultural da cidade.

Foto de capa – Elizabeth Reis

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