Por dentro do livro “Coreto da Praça Bernardino Bahia”: autora Priscilla Vieira escreve seu legado em Feira

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Você sabe onde está localizado o primeiro coreto de Feira de Santana? Quem anda pela histórica Praça Bernardino Bahia, que leva o nome do seu Coronel e ex-Intendente do município, talvez não saiba que a estrutura ali erguida é também patrimônio artístico e cultural da Bahia, tombado em 2002 pelo IPAC.

Considerados símbolos de um passado romântico no Brasil e no mundo, essas construções (os coretos) abrigavam música ao vivo, atrações artísticas e levavam alegria para a população e para os “enamorados” ali de passagem — e no início do século XX, era possível ver esse tipo de construção tomando várias das praças públicas.

Mas voltando para Feira de Santana, estima-se que o coreto da Praça Bernardino Bahia tenha surgido doze anos após a fundação do primeiro coreto da cidade do Rio de Janeiro, em 1903, na Praça XV. No entanto, mesmo após um século, a icônica edificação da Princesinha do Sertão continua sendo objeto de análise e estudo dos pesquisadores.

Foto: Reprodução

Arquiteta & urbanista, amante dos livros de história, curiosa e atenta aos patrimônios culturais da cidade, Priscilla Vieira lembra de ver o coreto “desde que se entende por gente” na cidade. Natural de Feira, a autora do livro “Coreto da Praça Bernardino Bahia” (2026), decidiu mergulhar de cabeça na curiosidade acerca do coreto e das mudanças que atravessaram a sua forma original. Essa curiosidade tornou-se uma pesquisa, que chegou durante a inscrição no mestrado de desenho, cultura e interatividade da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

“O livro ‘Coreto da Praça Bernardino Bahia’, em primeiro plano, trata-se de um registro do primeiro coreto de Feira de Santana. Nele você vai poder ver um registro de todas as versões e elementos que esse Coreto teve desde sua origem até 2022. A partir desses registros, pesquisas e desenhos, procuro compreender como as mudanças socioeconômicas e culturais da nossa cidade refletiram nas modificações na arquitetura desse patrimônio cultural tombado, além de falar a respeito da memória arquitetônica e coletiva”, explica Priscilla.

Fotos: Arquivo Pessoal

Segundo a arquiteta, há muitas histórias que ainda não foram contadas sobre o universo feirense, desde personalidades que fizeram a diferença na cidade, aos espaços, costumes e tradições de uma Princesinha ávida por colocar suas próprias referências no mapa brasileiro. Nesse cenário emergente, Priscilla afirma que é preciso continuar registrando e compartilhando essas histórias, sejam elas contadas pela literatura, pela pesquisa, desenho ou por outras formas de expressão.

“Acredito que a literatura feirense tem muito a contribuir pra todos, porque Feira de Santana possui uma história rica, de encontros culturais, transformações sociais e além da sua importância para a Bahia. Contar histórias que nascem aqui é também ampliar o olhar sobre o Brasil, que é tão plural, valorizando experiências, memórias e identidades que muitas vezes não recebem a mesma visibilidade”, elucida.

Fotos: Arquivo Pessoal

O desejo de contar as histórias da própria cidade, no entanto, é antigo. “Quando eu era criança eu lembro que na escola, lá na antiga 2ª ou 3ª série, eu estudei muito brevemente a história de Feira, de forma muito simples. Isso deve ter ajudado a fomentar essa minha curiosidade sobre Feira, assim como a graduação de arquitetura onde a gente estuda mais a fundo sobre sociedade, cidade e urbanismo”, complementa.

Escrevendo o seu próprio legado na cidade, a profissional afirmou, em entrevista exclusiva ao Portal CONTORNO, que seu desejo é contribuir para que a história de Feira de Santana seja conhecida, registrada e preservada também por meio da literatura.

“Acredito que ainda tem muito a documentar sobre a memória da nossa cidade, sobre seu patrimônio arquitetônico e suas transformações urbanas. Com esse livro em especial, quero deixar um registro para as futuras gerações, para que, se quiserem, possam conhecer como Feira era, compreender como a cidade se transformou e reconhecer a importância de preservar suas memórias. Afinal, para se compreender o presente também é necessário conhecer o nosso passado e entender de onde viemos. Se meu livro puder despertar esse interesse e incentivar outras pessoas a contar as histórias da nossa cidade, esse será meu legado pra literatura feirense”, conclui a autora.

O livro “Coreto da Praça Bernardino Bahia” (2026) já está disponível através da Livraria da UEFS, ou entrando em contato com a autora, através do Instagram @priscillavieira.arq.

Foto da capa: Arquivo Pessoal

Por Cristiano Sales,
escritor e jornalista.

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