Dia do Poeta: literatura de Feira que merece ser lida hoje

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Neste 20 de outubro, Dia do Poeta, Feira de Santana tem boas histórias para contar através de seus escritores. A cidade que cresceu entre feiras livres, encontros culturais e transformações urbanas também construiu uma trajetória importante na poesia baiana. Parte dessa história está nos livros de Eurico Alves Boaventura, Antônio Brasileiro e Roberval Pereyr, três autores de diferentes gerações que ajudam a conhecer a produção literária do município.

Eurico Alves Boaventura nasceu em Feira de Santana, em 1909, e integrou o movimento modernista baiano, participando da revista Arco & Flexa no final da década de 1920. Poeta, ensaísta e estudioso do sertão, escreveu sobre as paisagens, os costumes e as mudanças da região. Durante sua história literária, contribuiu com diversos escritores, entre eles Manoel Bandeira. Em A Canção da Cidade Amanhecente, Eurico registrou a expressão “há vivo rumor que se espalha pelas tuas ruas largas e retas”, trecho preservado no Memorial da Feira, mantido pela Prefeitura.

Foto – Arquivo ZMP

Falecido em 1974, o escritor teve parte de sua produção poética organizada por sua filha, Maria Eugênia Boaventura. Para conhecê-lo, uma opção é a obra A Poesia de Eurico Alves, Imagens da Cidade e do Sertão, organizada por Rita Olivieri-Godet e publicada em 1999. O volume reúne poemas e estudos sobre sua trajetória e pode ser localizado em plataformas de livros digitais.

Já Antônio Brasileiro chegou a Feira de Santana em 1971 e participou de um capítulo importante da vida cultural local. Poeta, pintor e professor, esteve à frente da revista Hera, publicação que reuniu escritores e contribuiu para a circulação da poesia produzida na cidade. Sua trajetória também inclui a atuação na Universidade Estadual de Feira de Santana e a participação na Academia de Letras da Bahia.

Foto – Reprodução/Academia de Letras da Bahia

Autor de obras como Dedal de Areia e Poemas Reunidos, Brasileiro transita por questões do cotidiano, da existência e do próprio exercício de escrever. No poema “Morreste em mim domingo à tarde”, publicado em sua antologia pessoal, aparecem os versos “Do que ficou, construí um poema amargo. E os dias a se estamparem nas retinas me lembrarão sempre que tu morreste em mim domingo à tarde. E eu em mim morri todos os dias”. Uma porta de entrada para sua escrita é Poesia Completa de Antônio Brasileiro, Volume 1, lançado pela Mondrongo.

Outro nome conhecido nesta história é Roberval Pereyr, nascido em Antônio Cardoso, em 1953, o escritor vive em Feira de Santana desde a infância. Também ligado à revista Hera, construiu uma carreira como poeta, compositor, editor e professor de Teoria da Literatura da UEFS. Entre suas publicações está Mirantes, obra reconhecida com prêmios literários e que ampliou a circulação de sua poesia.

Foto – Reprodução

Sua escrita pode ser conhecida pelo poema “Cantiga de Mal Saber”, no qual afirma “Ninguém conhece o percurso. Ninguém.” O texto está publicado no acervo literário de Antônio Miranda, que reúne outros trabalhos do autor. Já o livro Mirantes, lançado pela editora 7Letras, pode ser encontrado na Livraria Megafauna.

As trajetórias dos três escritores também se encontram na memória cultural de Feira de Santana. Em 2010, a Academia Feirense de Letras e a Fundação Cultural Egberto Costa lançaram Raridades Poéticas, projeto que reuniu 51 poemas de 29 autores ligados à cidade, incluindo Eurico Alves Boaventura. O material foi posteriormente disponibilizado no Memorial da Feira.

Foto de capa – Reprodução/Redes Sociais

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