Inclusão de riscos psicossociais na NR-1 marca avanço histórico após 48 anos na legislação trabalhista

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A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a incorporar os chamados riscos psicossociais no ambiente de trabalho, representa o encerramento de um hiato de quase cinco décadas na legislação trabalhista brasileira. Criada em 1978, a norma agora amplia o conceito de saúde e segurança no trabalho ao incluir fatores ligados ao bem-estar emocional dos trabalhadores.

De acordo com estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), apresentadas no relatório “O ambiente de trabalho psicossocial”, esses riscos são responsáveis por uma perda anual equivalente a 1,37% do Produto Interno Bruto (PIB) global. No Brasil, os impactos já são perceptíveis. Em 2025, a Previdência Social concedeu cerca de 546 mil benefícios relacionados a transtornos mentais e comportamentais – um aumento de até 15,6% em relação ao ano anterior, segundo dados do Governo Federal.

Para o consultor empresarial e especialista Darwin Grein, a atualização da NR-1 exige uma mudança estratégica por parte das empresas. “Uma vez que o foco da atualização da NR-1 é o bem-estar do trabalhador, diretorias C-level, profissionais sêniores e CEOs devem se atentar para os benefícios da inclusão dos fatores psicossociais na aplicação da norma. Se trabalhado estrategicamente, esse olhar interno pode representar uma redução das faltas, rotatividade e, consequentemente, um aumento na produtividade das empresas”, afirma.

Foto – Facilitação Programa Potenciar – Votorantim S.A

A nova diretriz também amplia o escopo de análise dentro das organizações, indo além das questões ergonômicas. Situações como sobrecarga de trabalho, assédio e falta de apoio passam a ser oficialmente reconhecidas como fatores de risco, exigindo identificação e medidas preventivas por parte das empresas. Segundo Grein, a mudança consolida uma demanda histórica no campo da segurança e saúde no trabalho. “Foram necessários cerca de 48 anos para que as normas de SST incorporassem de forma mais estruturada os riscos psicossociais ao trabalhador”, destaca.

As novas regras passam a valer a partir de 26 de maio, conforme previsto pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mesmo diante de ajustes anteriores no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Na prática, a implementação deve começar pelo mapeamento das situações de risco no cotidiano corporativo. “Isso inclui revisão de cargas de trabalho, análise de jornadas, canais de denúncia e avaliação da qualidade das relações de trabalho. O ponto central, no entanto, é a capacitação das lideranças para identificar sinais de adoecimento emocional e agir preventivamente”, explica o executivo.

À frente da Juntxs, consultoria especializada em Team Building e mentorias para desenvolvimento de pessoas, Grein reforça que o principal desafio está na transformação da cultura organizacional. “Estamos falando de uma reestruturação das dinâmicas entre os colaboradores. A NR-1 funciona como um marco regulatório que orienta essa mudança, ao incorporar de forma mais clara a prevenção dos riscos psicossociais dentro da gestão de segurança e saúde no trabalho”, conclui.

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