A história de Feira de Santana pode ser contada pelas fotografias. Muito antes da popularização dos celulares e das redes sociais, eram as lentes dos fotógrafos que registravam a expansão da cidade, as transformações da arquitetura, os grandes acontecimentos e os personagens que marcaram diferentes épocas. Cada imagem cumpre uma função que vai além do registro de um instante. Os cliques preservam referências urbanas e formas de viver que ajudam a compreender a identidade feirense.
O valor desse patrimônio visual ganha ainda mais relevância em uma cidade que cresceu rapidamente nas últimas décadas. Fotografias do século XX revelam uma Feira de Santana que já não existe em muitos aspectos, desde a movimentação da antiga feira livre até construções que desapareceram com a expansão urbana. Hoje, parte desse acervo integra iniciativas de preservação da memória da Princesa do Sertão.
Entre os profissionais que contribuíram para essa memória está Antônio Magalhães, um dos principais nomes da fotografia feirense. Natural de Minas Gerais, ele chegou à cidade em 1964 e transformou Feira de Santana em seu principal cenário de trabalho. Atuou como repórter fotográfico em veículos de imprensa, registrou acontecimentos sociais, eventos culturais, fatos políticos e acompanhou o crescimento da cidade durante quase 60 anos de atividade profissional. Seu olhar ajudou a construir uma das mais importantes coleções de imagens sobre a história local.

Além da produção fotográfica, Magalhães fundou, em 1976, a Associação dos Fotógrafos Profissionais de Feira de Santana, que foi posteriormente transformada em sindicato. O acervo reunido por ele, com aproximadamente 37 mil fotografias, registra desde a antiga configuração do centro da cidade até eventos que ainda acontecem nos dias atuais, como a Micareta e a Festa de Santana.
A fotografia continua ocupando um espaço essencial na vida cultural e social de Feira de Santana. Em uma cidade onde se integra tradição e desenvolvimento, o trabalho dos fotógrafos acompanha novas gerações, acontecimentos públicos e transformações urbanas. Registros como estes ajudarão as próximas décadas a compreender como Feira escolheu contar a própria história por meio das lentes de quem a observa diariamente.
Fotos – Arquivo Pessoal

















