Você já ouviu falar na expressão “comfort food“? Tendência gastronômica durante os meses mais frios, os pratos convidam o público a degustar combinações quentinhas e aconchegantes, com a assinatura da alta gastronomia que vem ganhando espaço na Princesinha do Sertão.
Também conhecida como “fine cuisine” de inverno, o conceito ganha releituras refinadas: clássicos ganham a companhia de risotos trufados, ragus de cocção lenta, cremes velouté encorpados e assados nobres servidos com mousselines aveludadas — preparos criados para aquecer o paladar e resgatar boas memórias afetivas a cada garfada.
Nos restaurantes em Feira de Santana, a estação pede pratos intensos, molhos apurados e experiências que convidem os feirenses a permanecerem mais tempo conversando e compartilhando o momento. É nesse cenário que a cozinha de conforto ganha força, conectando técnicas a lembranças que remetem ao calor do lar e às refeições feitas sem pressa.
Por trás das combinações criativas que chegam às mesas do SEEN Feira, o chef Wiltemberg carrega uma história profundamente enraizada na simplicidade e na essência da culinária familiar. À frente da cozinha do restaurante, ele traz consigo a bagagem de 18 anos de dedicação à gastronomia, moldada pelo exemplo de superação e dedicação familiar.


Fotos: Lula fotografia (à esquerda) e Diogo Brasileiro (à direita)
Filho de Dona Valdelice, que trabalhou anos como doméstica para garantir a educação de cinco filhos, e do Sr. Natanael, ex-feirante tradicional, Wiltemberg aprendeu o valor da comida bem antes de encarar o ambiente profissional. Nas panelas de casa, cozinhar nunca foi um mero ato mecânico, mas um exercício diário de afeto, identidade e sobrevivência.
“Minha relação com a cozinha começou muito antes de eu imaginar que ela se tornaria minha profissão. Venho de uma família simples, mas a culinária já era muito presente dentro de casa. Pelas mãos dos dois, cozinhar sempre teve sabor, afeto e identidade”, destaca o chef.
Atualmente, essa bagagem se reflete no trabalho que desenvolve em uma grande operação ligada ao Grupo Minor e ao chef internacional Olivier da Costa, além do trabalho desenvolvido junto à chef executiva Gizely Rocha, o gerente Tadeu Morais e o diretor regional Nordeste em nível Brasil, João Corte Rael. Assumir esse comando, segundo o chef, traz o desafio de manter padrões elevados sem perder a essência criativa e o respeito às bases clássicas da culinária.


Fotos: Lula fotografia (à esquerda) e Diogo Brasileiro (à direita)
Durante os meses frios, a proposta de inverno do SEEN Feira aposta na união entre técnicas apuradas, sabor marcante e a experiência de vivenciar o momento sem pressa. “O inverno tem muito a ver com aconchego. É uma época em que buscamos pratos mais reconfortantes e preparos mais intensos. No SEEN, gosto de trabalhar essa sensação sem perder nossa identidade. Nosso jantar harmonizado ganha um protagonismo especial, unindo gastronomia, vinhos e experiência”, destaca.

Foto: Diogo Brasileiro
A transformação de ingredientes simples em refeições memoráveis, aprendida na infância com os pais, continua sendo uma das principais diretrizes para a criação dos menus atuais do restaurante. “Os grandes clássicos continuam tendo um papel importante, mas gosto também de trazer preparos que tenham técnica, profundidade e que valorizem os ingredientes. E é justamente nesse contexto que o nosso jantar harmonizado ganha um protagonismo especial. Ele traduz muito bem essa ideia de aconchego: gastronomia, vinhos e experiência caminhando juntos. Eu cresci vendo meus pais transformarem ingredientes simples em comida cheia de sabor. Hoje, na alta gastronomia, continuo acreditando que o ingrediente só se torna extraordinário quando existe técnica, cuidado e propósito por trás dele“, destaca.


Fotos: Lula fotografia (à esquerda) e Diogo Brasileiro (à direita)
Segundo Wil, pensar a gastronomia de conforto também envolve olhar para o futuro da cozinha em Feira de Santana, focando no fortalecimento da equipe local e na entrega de um serviço consistente. “Depois de 18 anos de gastronomia, quero continuar aprendendo e aceitando novos desafios. Estar à frente de uma operação como essa já é um grande desafio. E eu acredito que antes de pensar em levar minha cozinha para outros lugares, preciso continuar fazendo um trabalho consistente aqui, construindo resultados e deixando uma marca. Eu não sei exatamente onde essa estrada vai me levar, mas aprendi uma coisa durante toda a minha trajetória: não é fácil, mas difícil mesmo é não tentar. E enquanto existir paixão pela cozinha, vou continuar tentando, aprendendo e transformando cada novo desafio em uma oportunidade”, conclui.
Foto da capa: Lula fotografia
Por Cristiano Sales,
jornalista e escritor.

















