Duquesa (@duquesa) não precisou pedir licença para se assentar no trono do rap nacional. Nascida Jeysa Ribeiro Conceição em Feira de Santana, a artista viu sua vida mudar radicalmente desde o refrão da faixa ‘Só guardei pra mim’ até os tapetes vermelhos de premiações internacionais.
Misturando o urban style do trap ao R&B, encontrando sua verdadeira faceta no rap, a feirense se tornou um dos maiores fenômenos da música ao acumular uma indicação histórica ao BET Awards 2024 na categoria Best New International Act — e conquistar milhões de fãs e streams com a dilogia Taurus (2023 e 2024).
O estouro no mainstream é fruto de uma construção que começou ainda na adolescência. Antes de lotar palcos no Rap in Cena, Festival Awe e Afropunk, Duquesa deu os primeiros passos da carreira ainda em 2015, com part. vocal na faixa ‘Só guardei pra mim‘, do grupo feirense Sincronia Primordial. De ex-funcionária do varejo até o mais alto posto do rap nacional, a “Big D” não deixou seus sonhos de lado, mas transformou uma realidade impossível em possibilidade.


Fotos: Julio Justo
A caminhada de Feira para o mundo foi lapidada com insistência e técnica. Em 2022, o EP “Sinto Muito” chamou a atenção do cenário independente pela entrega vocal e pela habilidade de transitar entre a melancolia do R&B e a agressividade do rap. Na sequência, hits como “Taurus” e parcerias com nomes da cena baiana como Baco Exu do Blues consolidaram ainda mais a sua projeção.
A virada definitiva de chave na carreira veio com o selo Boogie Naipe — produtora por trás de nomes como Mano Brown e Racionais MC’s. Aposta da cena nacional, a mudança para São Paulo trouxe o suporte estrutural necessário para que a feirense transformasse seu talento em um catálogo estratégico e de alta produção.
A era Taurus (2023): a (re)afirmação de um fenômeno
Em 30 de junho de 2023, o lançamento do álbum Taurus marcou um divisor de águas: faixas de sucesso como ‘Classudona’, ’99 Problemas’ e ‘Taurus’ entregaram rimas afiadas e marcaram a ascensão de uma mulher negra no mercado da música. O projeto colocou o nome de Duquesa na boca da crítica especializada e abriu alas para a sequência.


Fotos: Julio Justo
O impacto se consolidou com o álbum Taurus, Vol. 2 (2024). O disco trouxe participações especiais como a de Urias, Iuri Rio Branco e Baco Exu do Blues. Faixas como ‘Turma da Duq’ e ‘Big D!!!!! Pt.2‘ estouraram nos feeds e playlists, rendendo à feirense a indicação ao BET Awards 2024 nos Estados Unidos — onde figurou ao lado de grandes promessas da música mundial.
À medida que os álbuns dominavam as plataformas, as performances ao vivo de Duquesa ganhavam reputação pela energia e precisão técnica. A cantora figurou nos principais lineups do país, emplacou capas em playlists e viu seus clipes somarem milhões de visualizações com estéticas que dialogam com o streetwear.
Suas músicas passaram a integrar a rota dos principais DJs do país, com o remix de ’99 Problemas’, e chegaram ao Tiny Desk Brasil, provando que a sonoridade construída no interior da Bahia tem força comercial e apelo de sobra para ditar tendência na indústria fonográfica.


Fotos: Lyz (@lyzaoliv) e Julio Justo
Mesmo com a rotina dividida entre os grandes centros e turnês pelo Brasil, a Princesinha do Sertão permanece no centro da narrativa de Duquesa. Ao levar a garra de Feira de Santana para os maiores palcos do mundo, Duquesa prova que o topo do rap é um lugar que ela não só conquistou, mas passou a dominar.
Foto de capa: Julio Justo
Por Cristiano Sales,
escritor e jornalista.

















