Herança viva da Senhora Sant’Ana! Cleidiany e Marcleidson compartilham fé e amor pela padroeira

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Foto: Arquivo Pessoal

As capelas em devoção à Sant’Ana, logo nos primeiros anos da Princesinha do Sertão, inspirariam anos mais tarde a fé de 46% dos feirenses, declarados católicos apostólicos romanos, segundo o Censo do IBGE de 2022. A figura que carrega o título da avó do Messias e mãe de Maria, conforme as escrituras apócrifas aceitas pela Igreja Católica, ainda traz a devoção bem presente no dia a dia feirense.

Em meio aos festejos da Procissão de Senhora Sant’Ana, realizado no último domingo (26), a fé na padroeira da Princesa continua sendo um pilar para milhares de fiéis. No marco de 180 anos da paróquia homônima, a imagem da padroeira foi carregada com louvores e orações, atravessando as principais ruas da cidade, com a presença de nomes como José Ronaldo de Carvalho.

Foto: Ednalva Valença

Guardar a fé, no entanto, é um ato de amor e devoção que atravessa o imaginário de Feira. Para o casal paroquiano Cleidiany de Jesus e Marcleidson Manoel, o laço afetivo começou desde cedo, logo na infância de Cleidiany. Segundo a devota, a história com Sant’Ana passa por incontáveis noites de novena na Princesinha do Sertão.

“A minha história de devoção a Sant’Ana começou quando criança. Eu fui apresentada a Sant’Ana através da minha avó, porque era a minha avó que levava todos os netos para a novena de Sant’Ana. Todas as nove noites nós íamos, aquela renca de menino, minha avó levava. Então foi daí que foi crescendo a minha devoção a ela. Com os anos eu fui crescendo, virando adulta, e esse amor só foi chegando, chegando, chegando. E é uma tradição de família de muitos e muitos anos. Inclusive, o meu avô morreu com 105 anos e ajudou a construir a catedral. Então já é de geração, realmente, a nossa devoção à Sant’Ana. É de família”, comenta.

Segundo Cleidiany, a experiência do casal em devoção à Sant’Ana é marcada pelo fortalecimento da fé ao longo dos anos. Ela conta que, inicialmente, apenas ela participava das celebrações, acompanhada dos filhos, enquanto o marido não frequentava tanto a paróquia. Com o passar do tempo, no entanto, Marcleidson passou a perceber o amor e o cuidado que, segundo ela, Sant’Ana sempre demonstrou pela família, tornando-se também um devoto. Hoje, o esposo é “um eterno apaixonado por Sant’Anae carrega uma profunda gratidão pela padroeira, recorrendo à intercessão da mesma em busca de conforto e serenidade.

Foto: Arquivo Pessoal

“Um momento que marcou muito a nossa devoção foi quando meu esposo passou por um problema de saúde. Durante o novenário de Sant’Ana, ele fez um exame de rotina e a médica disse que o alerta tumoral estava alterado. Ela levantou a possibilidade de um problema no fígado e pediu uma série de exames, além de recomendar que ele ficasse isolado por 30 dias — não podia ser picado por mosquito, não podia gripar, não podia sair de casa, não podia ter contato. Foram dias de muita angústia e sofrimento, que vivemos só nós dois, sem contar para a família, porque nem nós sabíamos ao certo o que estava acontecendo. Todas as noites estávamos na novena pedindo a intercessão de Sant’Ana para que aquele resultado fosse um engano”, relembra Cleidiany.

Segundo a devota, a fé na padroeira foi o que sustentou o casal durante aquele período de incerteza. Cleidiany conta que, mesmo frequentando a procissão todos os anos, foi depois dessa experiência que a devoção ganhou um significado ainda mais profundo.

“Às nove da noite nós estávamos lá, A gente é sempre sorridente, sempre brincalhão, e ele principalmente, todo mundo estranhava, porque ele chegava lá sentado, ficava quietinho, murchinho, ninguém entendia. Ele emagreceu, e a gente ali pedindo a misericórdia dela, pedindo que ela intercedesse por nós, que esse resultado fosse um engano. E assim foi, passamos as nove noites indo para a procissão. Até então a gente ia para a procissão, mas não tinha aquele zelo de ir para o andor, de acompanhá-la. A gente acompanhava sempre a Sagrada Família São José, mas depois disso que a gente passou, todos os anos a gente vai à frente dela carregando o andor. Ele principalmente, mas a nossa devoção é só gratidão. Porque quando nós recebemos o resultado que a médica falou, que não tinha absolutamente nada, foi um alívio. Um alívio que parecia que tinha tirado um peso das nossas costas, então a gente só tem a agradecer. É só gratidão a ela. Porque ela é puro amor. É puro cuidado. Puro carinho que ela tem por nós. Então, a nossa devoção só aumenta a cada ano”, afirma.

Foto: Arquivo Pessoal

Segundo Cleidiany, a tradição de devoção a Sant’Ana na família é um legado que atravessa gerações. A devota conta que recebeu esse ensinamento da avó, que foi responsável por apresentá-la à padroeira, e que hoje busca manter esse vínculo vivo entre os familiares, incluindo as netas — uma delas já recebeu um nome escolhido como homenagem a Sant’Ana.

“Então essa tradição, ela tem que se manter viva, a importância de apresentar aos nossos filhos, aos nossos netos as coisas boas. A gente tem sempre uma mãezinha que roga por nós lá em cima, que intercede por nós, que não solta nossas mãos se a gente assim chegar ao encontro e se deixar realmente ser tocada pelo amor dela, porque ela é a avó de Jesus e assim é a nossa avó. A gente só tem gratidão a ela. Então, daí por diante desse resultado que a gente teve, todos os anos a gente só sai na procissão no andor de Sant’Ana, carregando o andor de Sant’Ana. E viva Sant’Ana!”, comemora Cleidiany.

Fotos: Arquivo Pessoal

Por Cristiano Sales,
jornalista e escritor.

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