Feira de Santana mantém uma relação histórica com a literatura de cordel, tradição que segue viva em espaços culturais, feiras populares e iniciativas de preservação à memória sertaneja. A relação entre os folhetos e a identidade feirense atravessa gerações e segue presente na cidade conhecida como um importante ponto de circulação comercial do interior da Bahia.
Feira teve papel de destaque na distribuição de cordéis em todo o Nordeste, principalmente na época em que as feiras livres eram grandes centros de convivência e troca de histórias populares. Essa herança cultural segue preservada até hoje por instituições como a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), que mantém iniciativas voltadas à valorização da cultura popular e da memória tropeira.
Entre as tantas propostas está o Museu Casa do Sertão, um espaço criado com o objetivo de preservar os modos de vida sertaneja, reunindo um acervo dedicado à tradição oral, poesia popular e cultura nordestina. A atuação da UEFS também abrange a Academia Feirense de Letras, instituição literária que trabalha na preservação da memória cultural da cidade.

Foto – ASCOM/UEFS
No centro de Feira, o Mercado de Arte Popular (MAP) se consolidou como um dos principais espaços de encontro da cultura popular nordestina. Entre artesanato, música e gastronomia, o local também virou referência para o cordel. Desde 2020, o espaço abriga um box dedicado exclusivamente à essa literatura, coordenado pelo cordelista Jurivaldo Alves da Silva.
Natural de Baixa Grande e criado em Feira de Santana, Jurivaldo é hoje um dos nomes mais ligados à preservação do cordel na cidade. A relação dele com os folhetos começou ainda na infância, em sua cidade natal. “Eu comprava o cordel na feira livre, como eu era analfabeto, eu pagava alguém para ler pra mim e depois eu decorava. Aí passei a ser conhecido por contar história” afirma o cordelista.
A vivência pessoal acabou transformando Jurivaldo em uma figura conhecida da cultura popular feirense. Atualmente, seus folhetos circulam em eventos culturais, feiras e espaços turísticos da cidade. Segundo ele, o espaço mantido no MAP permanece aberto para outros autores, pesquisadores e admiradores da cultura.

Foto – ACM
Nos últimos anos, o cordel também ganhou novos caminhos em Feira de Santana por meio de escolas, projetos culturais e atividades em espaços turísticos. Para os cordelistas da cidade, a literatura popular continua exercendo um importante papel educativo e social, aproximando novas gerações das raízes nordestinas.
Foto de capa – ACM

















