Por Wil Machado.
Você sabe o que é a “Creator Economy”? Da tradução direta do inglês para ‘Economia da Criação’, é um ecossistema gigantesco que movimenta mais de US$ 250 bilhões globalmente, mas que — se você olhar com atenção — ainda é reduzido por muita gente à simples imagem de um “influenciador gravando um provador nos bastidores de uma loja”.
Um caso recente do mercado nacional envolvendo a atriz Bruna Marquezine, pivô de uma acalorada disputa de posicionamento entre gigantes das cervejas, como Heineken e Corona, me fez retornar a esse tema. E me lembrou de como a noção de “influência” no mercado atual muda drasticamente dependendo da maturidade estratégica de quem a contrata. Ou de quão longe uma empresa quer enxergar.
Mas calma, vamos construir uma linha do tempo?
Nos primeiros anos das redes sociais, a influência digital nascia de forma quase puramente intuitiva. Era a indicação sincera, a foto sem filtro de um produto, o blogueiro opositor do marketing tradicional que falava diretamente com sua comunidade. Um movimento orgânico e pulverizado.
Contudo, entenda que o mercado evoluiu. A influência deixou de ser um mero canal de mídia panfletária para se tornar a espinha dorsal da reputação corporativa. O que nasceu como um post despretensioso tornou-se um ecossistema profissional complexo, com nuances, camadas (como diria Shrek 1) e métricas que vão muito além do clique.
Então você me pergunta: Wil, a influência é apenas conversão direta em vendas ou é construção de ativos intangíveis de credibilidade?

Foto: Taila Silva
A resposta está debaixo do nosso nariz. O que começou como um “link na bio” transformou-se em posições estratégicas de embaixadoria. Onde a marca não busca apenas alcance numérico, mas a transferência do capital reputacional do criador para o seu próprio ecossistema.
Se pensarmos na gestão de crises modernas, como uma marca corporativa fria conseguiria humanizar seu posicionamento sem uma voz real para sustentá-lo? Diante do que eu chamaria de “tempestade reputacional” — como a vivenciada por Bruna Marquezine —, se a atriz não fosse embaixadora de uma marca pessoal consolidada, seria infinitamente mais difícil gerenciar a narrativa. O embaixador, portanto, não é apenas uma vitrine; é um protetor da marca, um escudo de credibilidade e um tradutor humanizado de valores para sua própria comunidade.
Enquanto isso, a visão “tacanha” (chique, né? Ou melhor, “mesquinha”) de muitas empresas ainda se resume a encarar criadores como folhetos promocionais ambulantes. “Poste isso, mostre aquilo, venda agora”. Pelo amor…
Fato é, enquanto o mercado global amadurece, trazemos esse recorte para a realidade local. Em Feira de Santana, por exemplo, o movimento das marcas mais atentas já sinaliza essa virada de chave, e eu particularmente estou vivendo essa mudança.
Tomemos como exemplo a Texas Seguros, uma empresa com mais de três décadas de história no setor e presença em grandes capitais. Ao buscar uma embaixadoria, a provocação vai além de vender apólices de seguro ou serviços patrimoniais. Trata-se de aproximar a marca das pessoas, trazendo uma camada de humanização, cuidado e segurança subjetiva que nenhum banner estático consegue transmitir.


Fotos: Arquivo Pessoal
O mesmo acontece com o Loop360, uma plataforma nova focada em experiências, serviços e estilo de vida, de gastronomia à estética automotiva. A escolha por ter embaixadores como rostos da empresa nasce da necessidade de construir conexão imediata, chancela e voz em um ecossistema que exige pertencimento. E é por isso que vocês vêem esse rostinho de Wil Machado estampando as campanhas.
Se eu pudesse resumir esse artigo, seria com: o ecossistema de marcas do século XXI não tolera mais o amadorismo de quem reduz a Creator Economy a um post isolado. Engana-se quem enxerga a influência de forma simplista ou meramente transacional.
O compromisso com a construção de imagem hoje passa por entender as camadas da Economia da Criação. A força de uma marca depende de quem fala por ela. E se a sua empresa ainda enxerga o influenciador apenas como alguém que segura um cabide em um provador… bem, preciso falar?
Não é mais sobre o creator. Tudo depende da profundidade com que você enxerga a sua própria marca.
Foto de capa: Taila Silva

















