Com a chegada do período junino, o amendoim volta a ocupar espaço de destaque em Feira de Santana, especialmente nas ruas do bairro Queimadinha, onde a atividade atravessa gerações e é a principal fonte de renda de dezenas de famílias.
Por lá, o preparo do amendoim mobiliza moradores durante todo o mês de junho. O trabalho envolve a seleção dos grãos, processos de lavagem e horas de cozimento em grandes panelas aquecidas a lenha. A produção abastece diversos pontos de venda espalhados pela cidade.
O galpão comunitário destinado ao cozimento de amendoim se tornou parte dessa dinâmica econômica e cultural. O espaço foi criado para oferecer estrutura para os comerciantes que atuam no segmento. Nesse período, as 35 bocas do galpão funcionam sem parar para atender a demanda. Em anos de maior movimento, centenas de vendedores comercializam o produto em diferentes regiões do município.

Foto – Vinícius Gomes
Há 64 anos no comércio de amendoim, Adevaldo Moreira, conhecido como Vata do Amendoim, é uma das figuras mais tradicionais da atividade na Queimadinha. Embora ele comercialize a iguaria durante todo o ano, é entre os meses de maio, junho e julho que a demanda cresce de forma significativa.
No período de grandes vendas, o comerciante acorda todos os dias às 4h30 da manhã para cozinhar o amendoim e preparar a banca. Antes das 7h, vendedores abastecem seus carrinhos para levar o produto a diferentes pontos da cidade. “Nesse período junino eu trabalho pelo menos umas 16 horas diárias, entre compra, preparo e entrega das encomendas” conta.

Em Feira de Santana, a tradição permanece associada à memória afetiva dos festejos juninos e à continuidade de saberes repassados entre gerações. “Além de manter a cultura familiar, a tradição serve como uma fonte de renda para mim e também para várias famílias do bairro que sobrevivem do comércio do produto. Eu por exemplo trabalho no ramo desde meus primeiros anos de vida. Aprendi com minha mãe.” afirma Adevaldo.
Foto de capa – Vinícius Gomes

















